terça-feira, 24 de novembro de 2015
sombras
terça-feira, 22 de setembro de 2015
despedida curta
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Do amor-próprio
Alguém que tive o privilégio de conhecer esta semana fez-me uma pergunta bastante pertinente: qual vai ser a relação mais duradoura da tua vida? O meu irmão!, respondi eu sem hesitar. É o meu melhor amigo, a pessoa com quem mais partilho código genético, apesar das curiosas diferenças que nos distinguem e que nos fazem ser ainda mais unidos.
Resposta errada, claro está.
A relação mais duradoura da minha vida é a que tenho comigo própria, e como todas as relações, nem sempre tem sido fácil. Dias houve em que pensei para mim própria o quão farta estava de ser eu, de coabitar comigo própria, tal era a complexidade de desafios que a mim mesma me colocava. Se para amarmos outras pessoas é precisa disponibilidade, amar-nos a nós próprios requer uma disponibilidade infinitamente maior. Será talvez um dos mais permanentes desafios com que teremos que lidar ao longo das nossas preciosas vidas.
Olhando para trás, e para as relações que fui tendo, fossem elas de amor ou de amizade, percebo claramente que algumas delas não foram bem-sucedidas pela minha indisponibilidade em me amar a mim mesma, antes sequer de pensar em amar o outro. Esta mesma pessoa que me fez essa pergunta, de uma perspicácia e sagacidade acima de média, usava uma analogia bastante interessante, e que vou guardar como ferramenta indelével neste exercício tão difícil de praticar que é o amor-próprio: não existe “a outra metade da laranja”. Existem sim “laranjas” que caminham juntas, que fazem um percurso, que crescem, se acrescentam, e por essa via evoluem. Aceitarmos esta premissa é meio caminho andado para que à medida que as pessoas que vão cruzando o nosso caminho, e se por algum motivo se afastarem, isso não constitua para nós uma tragédia pessoal, mas sim uma parte inevitável do longo percurso que é a vida. Talvez por ter acreditado por tanto tempo na outra metade da laranja, fui eu própria uma laranja incompleta.
Tenho tido a sorte de encontrar pessoas extremamente ricas que comigo têm partilhado ensinamentos preciosos. À medida que fui crescendo e que fui travando as minhas batalhas pessoais, apercebi-me que apesar de ser importante focarmo-nos no aqui e agora, na ideia do “um dia de cada vez”, é também importante fazer aqui e ali uma análise macro da nossa vida, olhar para trás e para a frente, perceber o que falhou e o que se quer evitar repetir de errado. Há feridas que por vezes damos como curadas, quando na realidade não estão senão arquivadas algures dentro de nós, prontas a doer mas nos sentirmos mais frágeis ou desprotegidos. Algumas delas são tão dolorosas, que o tempo inteiro de uma vida não é suficiente para as sarar. É importante reconciliarmo-nos com isso, porque nem sempre vamos conseguir resolver tudo, e não será à base de pensos rápidos que vamos chegar a algum lado.
Amarmo-nos, a nós próprios em primeiro lugar, prioridade primeira da nossa existência. Só assim seremos capazes de alguma vez amar verdadeiramente aqueles que vão fazendo parte das nossas vidas.a
segunda-feira, 29 de junho de 2015
domingo, 14 de junho de 2015
histórias de amor em dias de chuva
quarta-feira, 3 de junho de 2015
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
M A N O S
A vida sem ti tinha sido tão triste.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
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| photo @ João Tamura |
sábado, 3 de janeiro de 2015
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
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| photo @ Pedro Miguel Rodrigues 2014 PMRPHOTOGRAPHY |
domingo, 21 de dezembro de 2014
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
vizinha Lena
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| quarto |
O meu quarto da cidade costuma dar-se ares de província, de tão silencioso que sempre fica. Só lhe faltam mesmo os pardais da província. No despido quarto de aldeia onde cresci, janela virada para a estrada, entravam sons de carros, de motas, de carroças e de tractores, do sino e do relógio da igreja - afinal, era o quarenta e um da Rua Principal, a rua que ligava o início do lugar ao largo da igreja, onde o mundo se resumia para começar e logo acabar - afinal, nada mas mesmo nada ali acontecia. Sons e os sons dos pardais. A vizinha Lena morava mesmo à minha frente e tinha árvores onde cantavam os pardais que me adormeciam quando me deitava de manhã, que me acordavam quando me levantasse cedo.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
quem é quem
Às pessoas fazes o mesmo. Deixa-las habitarem-te indefinidamente, perpetrando memórias que já ninguém quer, procrastinando como quem dança à volta do inevitável. Se pudesse, processava-te em saquinhos de chá enquanto durasses, para te ferver e te beber em vagarosos tragos, até que te esgotasses dentro de mim em sabores de frutos e de flores.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
manhã
terça-feira, 4 de novembro de 2014
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Horário de Inverno
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Só o palrear dos grilos acompanha o lusco fusco matinal em que me sento. Acendo um cigarro só pelo prazer de ver o fumo competir com a neblina que se me assenta na pele. Arrepiei-me e tu nem deste conta. Presságio ou não do teu apartamento. Quem sabe? A manhã ameaça já despontar, o relógio parou entre as sete e as oito, e tu desenhas ainda sem parar. Desenha-me outra vez, penso para dentro, enquanto queimo mais um bafo no cigarro. Despi-me das amarras e fui tudo o que nunca alguma vez pensara ser possível. A pessoa mais feliz do mundo, mesmo depois de tudo. Mesmo depois de tudo, a pessoa mais feliz do mundo. Doce privilégio esse, amargo o gosto de quando se evapora a gota última desse elixir que chamam de felicidade. Humedeço os lábios, em te pedindo na penumbra da manhã um último beijo que nos enleve para sempre no chamamento que o destino nos faz. Que fragmento bizarro, esta madrugada abafada e disfarçada de fria. Nunca te sentaste comigo nestes degraus a apreciar a quietude do campo, a inércia da vegetação, a diversidade dos teus verdes. O mundo jaz aqui aos nossos pés, este chão, estas fundações, este pedaço de terra onde nos pertencemos noites sem fim, onde o mundo começa e acaba em nós. Pouso os pés descalços no chão frio e sinto a tua mão descer-me sobre o ombro, a chamar-me para a tua cama.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Já não estava habituada a ouvir frases deste calibre emocional.
Sempre me dei melhor com o preto das palavras no branco do papel, que com a timbre da minha voz a ressoar naqueles que amo. Escrever é mais fácil, tira-me a sensação de ridículo com que sempre fico quando tenho que dizer a alguém


















